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Ama o próximo


Pensando bem, é incrível que uma religião adote um instrumento de tortura e execução como seu símbolo sagrado, frequentemente usado em torno do pescoço. Lenny Bruce observou bem que, se jesus tivesse sido morto há vinte anos, as crianças católicas estariam usando cadeirinhas elétricas no pescoço, em vez de cruzes.

Descrevi a expiação dos pecados, a doutrina central do cristianismo, como cruel, sadomasoquista e repugnante. Também deveríamos qualificá-la como loucura de pedra, se não fosse pela enorme familiaridade com ela, que anestesia nossa objetividade. Se deus quisesse perdoar nossos pecados, por que não perdoá-los, simplesmente, sem ter de ser torturado e executado em pagamento - condenando, dessa forma, as gerações futuras e remotas de judeus e pogroms e perseguições por serem os "assassinos de cristo": será que esse pecado hereditários também foi transmitido pelo sêmen?

Foi a religião que fez a diferença entre as crianças condenarem ou endossarem o genocídio.

A bíblia é um guia da moralidade entre membros do mesmo grupo, contendo instruções para o genocídio, para a escravização de forasteiros e para a dominação do mundo. Mas a bíblia não é malévola devido a seus objetivos ou à glorificação do assassinato, da crueldade e do estupro. Muitas obras antigas fazem a mesma coisa - a Ilíada, as sagas islandesas, as lendas dos sírios da antiguidade ou as inscrições dos maias, por exemplo. Mas ninguém sai por aí vendendo a Ilíada como base da moralidade.

A religião é sem dúvida uma força que provoca divisões, e essa é uma das principais acusações levantadas contra ela. Mas diz-se com frequência e com razão que as guerras, e as brigas entre grupos ou seitas religiosas, raramente dizem respeito a discordâncias teológicas. Quando um paramilitar protestante do Ulster mata um católico, ele não está pensando: "Tome isto, seu idiota transubstancionista, mariólatra, incensado!". É muito mais provável que ele esteja vingando a morte de outro protestante morto por outro católico, talvez dentro de uma vendeta transgeracional. A religião é um rótulo para a inimizada entre integrantes do grupo/forasteiros e para a vendeta, não necessariamente pior que outros rótulos como a cor da pele, a língua ou o time de futebol preferido, mas frequentemente disponível quando outros rótulos não estão disponíveis.

Sem a religião não haveria rótulos herdados ao longo de muitas gerações.

Sem a religião, e a educação de segregação religiosa, a divisão simplesmente não existiria.


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