Pular para o conteúdo principal

Der Antichrist


Nem a moral nem a religião, no cristianismo, têm algum ponto de contato com a realidade. Nada senão causas imaginárias ("deus", "alma", "eu", "espírito", "livre-arbítrio" - ou também "cativo"); nada senão efeitos imaginários ("pecado", "salvação", "graça", "castigo", "perdão dos pecados"). Um comércio entre seres imaginários ("deus", "espíritos", "almas"); uma ciência natural imaginária (antropocêntrica; total ausência do conceito de causas naturais), uma psicologia imaginária (apenas mal-entendidos sobre si interpretações de sentimentos gerais agradáveis ou desagradáveis - dos estados do nervus sympathicus, por exemplo - com ajuda da linguagem de sinais da idiossincrasia moral-religiosa - "arrependimento", "remorso", "tentação do demônio", "presença de deus"); uma teleologia imaginária ("o reino de deus", "o juízo final", "a vida eterna"). Esse mundo de pura ficção diferencia-se do mundo sonhado, com enorme desvantagem sua, pelo fato de esse último refletir a realidade, enquanto ele falseia, desvaloriza e nega a realidade. Somente depois de inventado o conceito de "natureza", em oposição a "deus", "natural" teve de ser igual a "reprovável" - todo esse mundo fictício tem raízes no ódio ao natural (- a realidade! -), é a expressão de um profundo mal-estar com o real. Mas isso explica tudo. Quem tem motivos para furtar-se mendazmente à realidade? Quem com ela sofre. Mas sofrer com a realidade significa ser uma realidade fracassada... A preponderância dos sentimentos de desprazer sobre os sentimentos de prazer é a causa dessa moral e dessa religião fictícias: uma tal preponderância transmite a fórmula da décadence.

Friedrich Nietzsche

1844 - 1900


Postagens mais visitadas deste blog

A Modest Proposal

For preventing the children of poor people in Ireland, from being a burden on their parents or country, and for making them beneficial to the publick. Jonathan Swift | 1729 It is a melancholy object to those, who walk through this great town, or travel in the country, when they see the streets, the roads, and cabbin-doors crowded with beggars of the female sex, followed by three, four, or six children, all in rags, and importuning every passenger for an alms. These mothers, instead of being able to work for their honest livelihood, are forced to employ all their time in stroling to beg sustenance for their helpless infants who, as they grow up, either turn thieves for want of work, or leave their dear native country, to fight for the Pretender in Spain, or sell themselves to the Barbadoes. I think it is agreed by all parties, that this prodigious number of children in the arms, or on the backs, or at the heels of their mothers, and frequently of their fathers, is in the present dep...

Escravidão

O escravo é uma propriedade como o gado o é, e não como uma coisa inanimada. Sua liberdade de movimentos lembra a de um animal ao qual se permite pastar e fundar algo como uma família. O verdadeiro caráter de uma coisa é sua impenetrabilidade. Ela pode ser chutada e empurrada, mas é incapaz de armazenar ordens. A definição jurídica do escravo como coisa e como propriedade é, pois, enganosa. Ele é um animal e uma propriedade . É antes com um cão que se pode comparar um escravo. O cão capturado foi retirado do seio de sua matilha: foi isolado . Está sob as ordens de seu dono. Abre mão de suas próprias iniciativas, na medida em que estas contrariem tais ordens, e, como recompensa por isso, é por ele alimentado. Alimento e ordem possuem assim, tanto para o cão quanto para o escravo, uma mesma fonte - seu dono - e, nesse sentido, não é totalmente inadequado comparar-lhes o status ao das crianças. O que, porém, os diferencia destas tem a ver com a maneira como administram as metamorfoses. A...

Your mobile always rings (or so you hope)

One message flashes on the screen in hot pursuit of another. Your fingers are always busy: you squeeze the keys, calling new numbers to answer the calls or composing messages of your own. You stay connected – even though you are constantly on the move, and though the invisible senders and recipients of calls and messages move as well, all following their own trajectories. Mobiles are for people on the move. You never leave your mobile out of sight. Your jogging gear has a special pocket for your mobile, and you would not go out with that pocket empty just as you would not go running without your training shoes. As a matter of fact, you would go nowhere without your mobile (’nowhere’ is, indeed, the space without a mobile, with a mobile out of range, or a mobile with a flat battery). And once with your mobile, you are never out or away. You are always in – but never locked up in one place. Cocooned in a web of calls and messages, you are invulnerable. Those around you cannot blackball y...